Você é muito crítico? Descubra como evita isso.

AAA LOGO BUDISTAA DUALIDADE É QUE GERA A CRÍTICA.

        Um dos discípulos do Mestre Nemo fez uma pergunta e ele sobre o surgimento do comportamento crítico.

       – Mestre! De onde surge em nós o comportamento crítico que tanto nos faz criticar o nosso próximo?

       – Tudo que é errado tem uma origem comum, compreendendo essa origem comum fica mais fácil corrigir o que é errado.

       – E qual é essa origem comum?

       – A dualidade.

       – Já meditei um pouco sobre a dualidade, o conceito de Anatman, a necessidade de nos libertamos da ilusão. Mas o senhor poderia me dar um exemplo de como perceber a dualidade no comportamento crítico?

       – É fácil. Imagine que todas as pessoas caminhem pela vida transportando penduradas ao pescoço duas grandes bolsas uma à frente e outra às costas do corpo. Imagine também que na bolsa da frente transportemos nossas qualidades e virtudes. E na bolsa das costas estejam nossos vícios, defeitos e erros.  Qual dessas bolsas é mais visível para nós?

       – Com certeza a bolsa que está a nossa frente já que não temos olhos nas costas.

       – E o que pode acontecer quando escolhemos ver apenas nossas virtudes?

       – Bom. Pode acontecer de valorizarmos demais nossas virtudes e esquecermos nossos defeitos.

       – Imagine que você esteja caminhando pelo mercado e que à sua frente e às suas costas caminhem outras pessoas também carregando essas duas bolsas.  Que pessoas conseguem incomodar ou atrasar os seus passos?

       – Com certeza as que caminham à minha frente, pois tenho que passar por elas ao caminhar e talvez até me desviar delas para percorrer meu caminho.

       – E as pessoas que estão atrás de você não te incomodam?

       – Não, eu nem as vejo, nem sei que estão lá.

       – E quando que essas pessoas que estão à suas costas têm alguma chance de incomodar você?

       – Só quando esbarram em mim ou quando me ultrapassam.

       – E quanto às pessoas que caminham à sua frente ou que ultrapassam você, qual é a bolsa delas que é mais fácil para você ver?

       – Bom. Se elas estão na minha frente só vejo a bolsa que está às costas delas.

       – Perceba que se você só vê a bolsa que está às costas delas você só está vendo os defeitos delas, não vê a qualidade que elas com certeza possuem também. Agora medite a respeito do que lhe contei e depois me procure para dizer como que isso explica seu comportamento crítico e sua capacidade de criticar o seu próximo.

        O rapaz executou o pronam mudrá (um cumprimento feito com a palma de uma mão tocando a palma da outra mão em frente ao corpo) fez uma reverência, se retirou e foi meditar.

Algum tempo depois retornou e disse ao Mestre Nemo:

       – Percebi que não critico as pessoas que não me aborrecem e às vezes nem percebo que elas existem. Mas sou tremendamente crítico em relação às pessoas que competem comigo, que me ultrapassam, que caminham à minha frente. Percebi que só sou crítico das pessoas que conheço, nunca sou critico e nem sequer penso a respeito das pessoas que não conheço. Percebi também que só me incomodam as pessoas que me superam, me ultrapassam ou caminham diante de mim. Percebi que sinto a compulsão de competir com elas, de vencê-las, de me mostrar melhor que elas. Percebi também que como estão à minha frente só vejo os defeitos delas e nunca consigo ver suas qualidades, pois estão na bolsa à frente delas, portanto fora de minha vista.

        – E como que essa percepção aumenta sua compaixão?

        – Percebi que todas as pessoas sem exceção carregam as duas bolsas e que não existe ninguém que tenha só a bolsa dos defeitos, todos têm também a bolsa das qualidades. Não existe alguém que tenha só defeitos, todos, mesmo tendo defeitos, também possuem qualidades.

         – E quanto à dualidade o que você percebeu?

         – Percebi que se eu não me percebesse como uma pessoa separada delas, como uma individualidade separada delas, não teria como ver as bolsas que carregam às costas, não teria como criticá-las nem como competir com elas. Percebi também que se quando caminho só vejo as bolsas dos defeitos daqueles que estão à minha frente, também os que vêm atrás de mim só conseguem ver os meus defeitos.

          – Teve alguma percepção sobre como diminuir SUA bolsa das costas?

          – Sim, o caminho do Dharma, a prática do Ashtanga Yana.

           – Fique na Serenidade do Buda.

           – Obrigado Mestre!

 Pense nisso, mas pense agora!

Satyananda Apta

Fique na serenidade do Buda!